domingo, 31 de março de 2013
bum, bum!
Não são só onomatopeias
ouça o som dos bumbos, criança!
Queria um tanto de percussão
bumbos graves sem gravidade
Um acompanhante de corda bamba
uma marcação
um guarda chuva listrado
Assim como por traz de todo tamborim há
segurando, armengando, harmonizando.
Há se tivesse, eu, o bumbo
minha vida seria cantar
e ganhar trocados
eu e ele
em cada esquina de amor
Júlia Carvalho
sexta-feira, 1 de março de 2013
Amor de buzu
Já faz um tempo que coleciono moedas
passes para sua vida
cobrador difícil
porem de coração macio
o bolso nem cheira a moeda
cheira a conquista
exala bem-querer
exala querer
não existe cercas
existe um dialogo maroto
a catraca
sua gravata e meus óculos escuros
Júlia Carvalho (que não tá de caso com o cobrador)
passes para sua vida
cobrador difícil
porem de coração macio
o bolso nem cheira a moeda
cheira a conquista
exala bem-querer
exala querer
não existe cercas
existe um dialogo maroto
a catraca
sua gravata e meus óculos escuros
Júlia Carvalho (que não tá de caso com o cobrador)
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
Saga de uma flor
A garota passeava sobre seus sapatos de laços desamarrados pelo grande jardim, onde as pessoas brotavam, cresciam e se reproduziam como flores. Ela sempre encontrava mães perto dos pântanos segurando suas crianças, via homens cavando a terra com suas raízes violentas e velhos carvalhos contando histórias para as rosas que sentavam à sua volta. Esta pequena menina atendia por Dolores ou Lô, como era chamada por sua mãe. Procurava nesse jardim uma função, ela não sabia se enterrava suas raízes e fazia fotossíntese, como o resto dos moradores dali, ou se partia para plantar suas sementes em outros paraísos. Não entendia como, apesar de todos ali viverem em harmonia, muito felizes e satisfeitos, lhe aconselhavam a partir para longe. O que havia de tão entorpecedor lá fora? O mel das abelhas de lá é mais doce? Há mais sombra e água cor de céu? Dolores olhava para o horizonte todo fim de tarde e olhava o sol se pôr atrás da colina colorida, o que havia lá atras além de um sol guardado? Via-se o clarão subir por detrás da elevação, ela imaginava muitos vaga-lumes dançando o Bolero de Ravel. Vaga-lumes de luz verde, daqueles que moravam dentro do fogão a lenha de sua vó, onde o fogo não queimava, só aquecia. As luzes lhe chamavam, ela ouvia musica sair dali, apesar do vento não soprar muitos ruídos pro lado de cá. A música da colina chamava Lô como uma Iara chama os pescadores pro fundo do mar, não tinha outro modo de ser. Lô arrumou todo seu pólen dentro de suas pétalas e atravessou o portão do seu paraíso, o resto ela ainda não contou a ninguém.
Júlia Carvalho
Duvidosa, mas conclusão.
Entenda
Júlia Carvalho.
Não é revolta
Apena estou te olhando com a mão no queixo
Olhando com os olhos de quem finalmente concluiu
Não vou me desculpar, chega disso!
Tenho todo direito de te olhar levantando uma das sobrancelhas
Criaram-me como ser pensante
E, já depois do deslumbramento, te vejo realmente
Você agora nada mais é que alguém com problemas e uma vida pra cuidar
Você deixa de ser dilema e passar a ser normal
Normal como eu nunca quis que fosse
Eu já temia
Enfim, fica na tua e me olha de igual pra igual
Afinal, assim como você
Tenho problemas e uma vida pra cuidar
Despeço-me para mais tarde reler-te
E de novo
Caçar
Tchau.
Júlia Carvalho.
Colocando piso, perdoando-se.
Forrar o chão de pedrinhas, pedrinhas brilhantes como se a rua fosse minha, inteira minha. E os passos abrigados, registrados e fossilizados no meu tapete de memorias, ficam iluminados. Ilumina-los e torna-los resquícios de vivencias, de carências, de plenitude e o logo após, o sono. Nada de apertar, julgar e algemar o que passou, pode-se lembrar e ninar toda demência, toda a cega paixão. E quando ela dormir coloque-a no berço da lembrança e perdoa toda a ânsia que um dia te atingiu. É, dormiu...
Júlia Carvalho.
Júlia Carvalho.
Mistério soluçante, melhor, solucionante.
foi como lavar minh'alma
trate-se de algo superior
ou até igual ao amor
olho na brasa
latido provocante a noite
e um mistério rezado e comandado por mim
10 ave marias, respondidas por 10 santa marias
Foi como falar particularmente com alguém
invocar e ser recebida
foi pelo vô e pela vó que orei
mas tudo aquilo curava minha insegurança
respondia ao meu encucamento
dava um tapa na minha imaginação
A fé, a busca, a calma,
é mais que amor
mais que religião
é família.
Júlia Carvalho
trate-se de algo superior
ou até igual ao amor
olho na brasa
latido provocante a noite
e um mistério rezado e comandado por mim
10 ave marias, respondidas por 10 santa marias
Foi como falar particularmente com alguém
invocar e ser recebida
foi pelo vô e pela vó que orei
mas tudo aquilo curava minha insegurança
respondia ao meu encucamento
dava um tapa na minha imaginação
A fé, a busca, a calma,
é mais que amor
mais que religião
é família.
Júlia Carvalho
O sim e o regredir, ou não.
E finalmente abrira quando "sim" se tornou meu, quando a permissão, agora reconhecida pela mãe, começou a engatinhar
Tinha medo de lhe viciar no bico, poderia deixar meu "senso crítico" frouxo ou no minimo dentuço.
E "sim" gostava do voo, apesar da sua maturidade de galinha via os poleiros como um atraso, por isso ninava-o no pé da cancela. Mas ele fazia o que queria, de qualquer forma criava-o como um passarinho manso.
Júlia Carvalho
Tinha medo de lhe viciar no bico, poderia deixar meu "senso crítico" frouxo ou no minimo dentuço.
E "sim" gostava do voo, apesar da sua maturidade de galinha via os poleiros como um atraso, por isso ninava-o no pé da cancela. Mas ele fazia o que queria, de qualquer forma criava-o como um passarinho manso.
Júlia Carvalho
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